[2006] Las Dos Caras de Ana

Las Dos Caras de Ana foi a terceira produção da Televisa em parceria com a Fonovideo gravada em Miami, em 2006. Desta vez, Lucero Suárez foi quem esteve a cargo da produção. E, dentre todas as novelas dessa safra, esta foi a melhor.

Na trama, Ana (Ana Layevska) é uma jovem que sonha em ser atriz em Miami. Um dia, num casting, conhece um jovem chamado “Gustavo Galván”, que nada mais é o nome artístico de Rafael Bustamante (Rafael Amaya), um jovem rico, mas que sonha em ser ator por méritos próprios. A vida de Ana muda quando seu irmão é atropelado por Ignacio Bustamante (Mauricio Aspe), um tipo arrogante e marginal, que aproveitando de sua influência, sai impune do crime, e ainda incendeia a casa onde Ana vive. No incêndio, morre Júlia (Socorro Bonilla), sua mãe e a namorada de seu irmão – que está tetraplégico no hospital. Essa jovem, todos acreditam se tratar de Ana. Dada por morta, ela vai para Nova Iorque onde seu irmão morre pouco tempo depois. De volta a Miami, Ana decide adotar a identidade de Márcia Lazcano, para seduzir Ignacio, bem como seu irmão Vicente (Francisco) e o pai dos Bustamante, Humberto (Leonardo Daniel). O que Ana não imagina é que “Gustavo Galván”, seu grande amor, é também parte da família que ela mais odeia.

blog-ana-01As parcerias com a Fonovideo foram fruto do sucesso que Gata Salvaje fez no mundo inteiro em 2002. A partir daí, a Televisa firmou contrato, produzindo 4 novelas. No esquema, os produtores e escritores eram essencialmente da Televisa. Os atores  geralmente se mesclavam entre contratações da Fonovideo com Televisa (que geralmente era quem definia e escalava os protagonistas). Mas a Fonovideo era uma produtora com baixa qualidade. Desde cenários, passando por iluminação e até imagem. E o mesmo sucesso de Gata Salvaje  não se repetiu em nenhuma das novelas da “sociedade”. A variedade de sotaques (mix de atores mexicanos, com venezuelanos, cubanos, etc) confundia o público e ajudavam na rejeição que as novelas tiveram em terra mexicana.

Com um excelente argumento de vingança nas mãos, Lucero Suárez conseguiu fazer uma boa novela, com um grande gancho dramático, permeado com situações interessantes e diferentes. Foi mais um trabalho da produtora com os escritores peruanos Erika Johanson e Pablo Serra, com quem fez várias novelas agradáveis. Além da espinha dorsal da vingança de Ana contra os Bustamante, a novela mostrou um lado interessante, sobre os castings dos atores, sua luta para conseguir papéis em produções e conseguir alavancar sua carreira. Com Rafael, também foi interessante mostrar como ele trabalhava em outros trabalhos para poder ao mesmo tempo batalhar pela carreira de ator.

blog-ana-02A novela se dividiu em duas partes – igualmente interessantes – mas que mudaram bastante o tom da trama. A primeira baseou-se na vingança de Ana até ela ser desmascarada pelos Bustamante ao mesmo tempo em que Rafael descobre que Ana seduziu todos os homens de sua família. A segunda, marca a entrada do galã venezuelano Jorge Aravena como Santiago, um diretor de cinema que decide revelar o talento de Ana através de um filme onde ela contracenará com Rafael. Santiago será o novo interesse amoroso na trama e se forma um triângulo amoroso onde o público realmente fica dividido.

Foi durante essa novela que Ana Layevska se apaixonou por Rafael Amaya e os dois começaram a namorar. O relacionamento durou vários anos. Dentro da novela, Ana e Rafael formaram um belo casal. Jorge Aravena falou publicamente que sua relação com Ana Layevska nos bastidores era tensa. Mas, curiosamente, a química dos dois em cena foi incrível, deixando o público realmente dividido sobre o destino de Ana e com quem ela ficaria. Até porque, Ana e Santiago chegam a ter uma noite de amor dentro da novela – coisa rara dentro de novelas latinas, onde a protagonista só se entrega a um homem. Apesar disso, ao final, ela termina com Rafael mesmo.

blog-ana-03Ana Layevksa foi o grande nome da novela. Ela já havia protagonizado Clap, um fracasso juvenil das 17h. Mas sua participação em La Madrastra fez com que novamente ela ganhasse uma oportunidade como protagonista. E desta vez, brilhou intensamente como Ana. Talvez ela não tivesse a beleza ideal para ser uma femme fatale como Márcia Lazcano, mas foi na interpretação que ela dominou a atenção para si e fez aqui um de seus melhores trabalhos na TV. Dona de um carisma impressionante, provou que podia sim levar o nome principal dentro de uma história.

A beleza de Rafael Amaya foi um ponto a favor, mas sua atuação, apesar de algum carisma e simpatia, não chegou a grandes voos. Já Jorge Aravena usou toda sua experiência e fez de seu Santiago outro personagem chave dentro da história.

As maldades ficaram por conta de dois jovens atores que também souberam aproveitar a oportunidade. Alexa Demián foi a interesseira Irene e se saiu bem. E Mauricio Aspe teve aqui seu maior e melhor papel na TV: Ignacio Bustamente. Malvado, cínico, psicopata, movimentou a história o tempo inteiro, sendo capaz dos atos mais absurdos.

A novela ainda teve a presença de luxo de Maria Rubio, que viveu Doña Graciela, a protetora de Ana. Foi um papel apenas ilustrativo, já que foi muito abaixo de seu potencial. Mas foi interessante para os que tem curiosidade de vê-la num papel que não seja o de vilã.

blog-ana-04Um ponto fraco da novela foi o personagem Vicente. No perfil, traçado como frágil e sensível, na interpretação de Francisco Rubio o personagem soou mais débil do que o necessário, e até um pouco afeminado. Não parecia em nenhum momento que ele de fato desejava Márcia/Ana.

Foi uma pena que essa novela não foi feita no México. Porque nem o cenário de Miami conseguiu ser valorizado diante de tantas limitações técnicas, fotografia alaranjada e imagem abaixo da qualidade das outras novelas de 2006, porque Las Dos Caras de Ana foi um trabalho – sobretudo dos escritores e de parte de seu elenco – da melhor qualidade.

Confira um vídeo com o elenco da novela!

6 comentários sobre “[2006] Las Dos Caras de Ana

  1. Luccas

    Acho uma bobagem essa história de os mexicanos implicarem com esse “mix de sotaques”. Enfim, fazer o que, parece ser uma boa novela, tenho alguma curiosidade de ver. Eu gostei da parceria da Televisa com a antiga Fonovideo, porque já vi BAJO LAS RIENDAS DEL AMOR (a qual aguardo seu comentário, rss) e o que me seduziu na novela foi justamente a produção, que considerei excelente. Será que Ana não seguiu esse padrão? Achei “Bajo” melhor que as “made in mexico” no quesito produção.

  2. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    É compreensível que se estranhe o excesso de sotaques… Imagine no Brasil uma novela que se passe em Portugal (?!) onde um personagem fale como português, e os outros brasileiros, sejam um gaúcho, um baiano, um carioca… Fica confuso! É que como vemos de fora… Fica mais fácil abstrair o assunto! hehehe

  3. Lucas

    Eu adorei e recomendo Las dos Caras de Ana! Concordo com os destaques do elenco e acho que a Ana foi uma verdadeira queen como protagonista. Um dos erros dessa novela foi colocar atores mega desconhecidos em papéis de peso, como a esposa do Ignacio, competente, mas muito who. Leonardo Daniel achei que se destacou, pois há anos ganhava só papéis ridículos. Vale comentar que a Alisson Lozz (Lozano ou Marian, enfim, sdds!), teve aqui sua primeira (e única) coadjuvante em novela adulta e mandou bem também.

  4. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Eu gostaria muito que a Ana Layevska voltasse a fazer novelas na Televisa…Todas suas incursões na Telemundo achei inferiores… Muito embora, gostei do fato de terem colocado pra fazer de vilã, porque ela sempre teve um ar petulante (inclusive, aproveitado em Las Dos Caras de Ana).

  5. Diogo

    gosto mto da ana layesvska como protagonista

    dessa novela eu lamento o fato de ter sido feita em miami…com um elenco de mtos desconhecidos…e uma produção meio pobre…

    mas a trama é clássica…legal, envolvente…se fosse no méxico…seria mais legal ainda

  6. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    De fato, a cara de Miami desvalorizou a novela. Imagens não tão boas, atores desconhecidos, numa história cheia de potencial. Mas como nos mercados estrangeiros, as novelas de Miami tem boa acolhida, Las Dos Caras de Ana se saiu melhor lá que no México.

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