[1998] Soñadoras

Aliar os encontros e desencontros juvenis com uma forte abordagem sobre o perigo das drogas foi a receita de uma novela que representou um novo fôlego para as tramas juvenis. Foi apostando nessa ideia que Emilio Larrosa produziu um estrondoso sucesso em 1998: Soñadoras.

Na história, Fernanda (Alejandra Ávalos) é uma psicóloga que trabalha em um centro de reabilitação de jovens que caíram nas drogas. Até que um dia, cruza em seu caminho o professor José Luis (Arturo Peniche), e ambos se apaixonam. Mas Don Eugenio de la Peña (José Carlos Ruiz), um poderoso empresário – que na verdade é um perigoso narcotraficante – está obsessivamente apaixonado por ela. Paralelo a isso, cruza-se a história de quatro diferentes jovens: a rica e mimada Jacqueline (Aracely Arámbula), que não mede esforços para conquistar o amor de José Luís; a ambiciosa Julieta (Angélica Vale), que finge ser rica por ter vergonha de sua origem humilde; a tímida Lucía (Michelle Vieth), o patinho feio do grupo; e a determinada Emília (Laisha Wilkins), cujo sonho é virar uma grande bailarina, mesmo contrariando o desejo de sua mãe. Assim, essas quatro colegiais viverão um ano de aventuras, perigos e emoções.

SONADORAS-01Com uma premissa forte, e que recordava outro sucesso do produtor, Muchachitas (1991), o produtor Emilio Larrosa fez de Soñadoras um fenômeno de audiência. Apesar da grande lição de moral da história ser “qualquer um pode cair nas drogas”, o produtor teve a inteligência de sustentar sua novela sem cair no drama pesado, e ao mesmo tempo, com a seriedade que o assunto merece.

A novela abordou o assunto das drogas sob várias perspectivas: o narcotraficante (Eugenio tinha uma imobiliária, mas era fachada para seu negócio com o tráfico, ou “El Terco”, personagem de Diego Shoening, que acaba virando um traficante juvenil e tinha um final trágico), o usuário (Jacqueline era a maior vítima das drogas, que serviam de válvula de escape para os dramas que a mesma enfrentava, e nesse vício, a acompanhava Manuel, personagem de Eduardo Verástegui, apaixonado por ela), e o reabilitador (Fernanda e José Luis – esse último, já havia sido viciado e estava há anos reabilitado).

SONADORAS-06A novela virou uma verdadeira sensação porque apresentou um jovem elenco talentoso, cheio de garra, que caíram facilmente no gosto da audiência. A novela também se afastou da proposta clássica que as novelas juvenis anteriores ofereciam (como Mi Pequeña Traviesa e Preciosa). E o principal: ditou a tendência de vários trabalhos que vieram na sequência.

Para viver as “sonhadoras”, Emilio Larrosa contou com um elenco de promessas da televisão. A diferença de Muchachitas, ele aqui conseguiu montar um grupo mais uniforme para dar vida às protagonistas. Nenhuma ainda era uma estrela, mas prometiam muito, apenas Michelle Vieth já havia sido protagonista. Aracely Arámbula vinha de papéis secundários em novelas. Angélica Vale, mesmo sendo filha de Angélica Maria, ainda não havia tido uma grande oportunidade. E Laisha Wilkins, a menos conhecida, vinha de um seriado juvenil que a Televisa havia lançado um ano anterior.

Dar um encaminhamento diferente a cada história, foi um dos pontos altos da trama. Jacqueline vivia a história mais dramática, por se envolver com drogas, e ser filha do grande vilão da novela. Obcecada por José Luis, ignorava o amor de Manuel. Julieta, a mais ambiciosa, não hesitava ao se envolver com um homem comprometido, e quando percebia, acaba sendo vítima do mesmo, chegando a se casar com ele. Além disso, sofria de bulimia. Emília vivia conflitos com a mãe, que queria explorá-la como cantora, enquanto ela desejava ser bailarina clássica. E Lucía vivia a história mais cor-de-rosa, da menina feia que se decepciona com amores e volta bonita para se vingar.

SONADORAS-03O elenco juvenil masculino contou com vários atores que se transformaram em galãs imediatos. A presença mais insólita foi a de Diego Shoening vivendo um adolescente colegial, tendo já 29 anos. Basta lembrar que em Muchachitas, ele vivia inclusive um personagem já adulto. Foi sua última novela, desde então, dedicou-se apenas a sua carreira musical. Eduardo Verástegui foi o galã sensação. Com seu porte musculoso e traços firmes, virou astro da noite pro dia. Chegou a protagonizar algumas novelas e filmes, mas acabou abandonando a carreira por se converte a religião evangélica. Jan foi um lançamento em Soñadoras, e está vigente até hoje. Aqui, ele já era mostrado como cantor dentro da novela. Essa faceta seria ainda explorada em DKDA – Sueños de Juventud, na qual foi protagonista. Arath de la Torre já havia participado de algumas novelas com Emilio Larrosa e aqui já despontava para a comédia. Seu personagem, Beto, tinha clara inspiração num personagem das novelas brasileiras: Beto Rockefeller, de 1969, vivido por Luís Gustavo. Assim como seu homônimo, o personagem de Arath de la Torre era um simpático malandro, aproveitador, interesseiro, mas de bom coração. Foi o destaque masculino. Aqui, ele já mostrava que era capaz de encarnar qualquer tipo de papel.

O elenco adulto teve um peso muito importante dentro da novela, mas sem deixá-la chata, apesar do foco principal serem os jovens. Arturo Peniche fez de José Luis o típico herói “larrosiano”: homem justo, sério, mas de passado tormentoso, com um grande erro (José Luís também havia sido viciado e por conta disso, sofreu um acidente que havia vitimado sua namorada dez anos antes). O interessante é que todo protagonista de novelas do Emilio Larrosa não são perfeitos, e Soñadoras mostrou que José Luis chegava a ter crises de abstinência pelo uso de cocaína.

SONADORAS-04José Carlos Ruiz fez de Don Eugenio de la Peña um grande vilão. Sua presença nas novelas geralmente acontece representando homens simples, do povo. Aqui, ele era um poderoso empresário que aprontava as maiores crueldades em busca dos seus objetivos. Uma composição genial de um grande ator. Seu bordão “De-fi-ni-ti-vo” virou sua marca registrada. Apesar da aparência implacável, por amor a Fernanda, Don Eugenio mostrava sua vulnerabilidade. Estava sinceramente apaixonado por ela, e sofria porque ela o rejeitava. Claro que, por ser novela, ele logo encontra maneiras bem pouco honestas de prendê-la a ele. Um vilão inesquecível!

A mais canastrona com certeza foi Alejandra Ávalos como Fernanda. Apesar de ter defendido bem seu papel, sua atuação foi cafona, antiquada, bem como sua aparência dentro da novela. A cada semana, ela surgia com um visual novo, um corte de cabelo, a cor… Quando a novela começa, o público fica sabendo que no passado, Fernanda foi vítima de um atentado, onde seu noivo morreu e seu pai (papel de Gustavo Rojo) ficou paralítico. Logo, ficamos sabendo que Don Eugenio – sempre ele!- foi o responsável pelo crime.

SONADORAS-05Com uma boa dose de ação e truculência, a novela durou mais de 8 meses no ar, mantendo o interesse da audiência. Os entrechos dos encontros e desencontros amorosos foram dividindo espaço com a trama policial e a abordagem das drogas dentro da trama, resultando num casamento perfeito para a novela. Para esticar a novela sem perder qualidade, dois astros juvenis se integraram: Irán Castillo, vivendo a rebelde Ana (no clichê onde a rebeldia envolvia maquiagem pesada, de roqueira, cabelo de cor forte, etc) e Kuno Becker como Rubén (uma espécie de “Jorge del Salto” adulto, habitante do bairro de Las Lomas – sempre citado na obra de Emilio Larrosa). Os dois novos personagens trouxeram mais frescor à novela.

Logo após o final da novela, foi apresentado um especial chamado “Lo Que Se Vió y No Se Vió de Soñadoras”. Rodado em Acapulco, mas sem a presença de Aracely Arámbula (que tivera outros compromissos), o especial se baseia na ideia da ida ao grupo de jovens a praia, onde mostram-se musicais e alguns finais alternativos (num deles, Don Eugenio mata Fernanda!).

SONADORAS-07A abertura da novela foi inesquecível. Mostrava o elenco da jovem da novela fazendo caras e bocas na praia e na balada. Numa das tomadas mais marcantes, as jovens atrizes mergulhavam num aquário gigante e mostravam pra câmera uma estrela com o nome da sua personagem! O tema musical “Únete a la Fiesta”, do grupo Sentidos Opuestos, ganhou uma versão especialmente produzida para a novela que fez um grande sucesso, se tornando um hit nas rádios.

Emilio Larrosa ainda produziria Amigas y Rivales, em 2001, com parte do mesmo elenco de Soñadoras, e novamente a premissa da história de quatro amigas diferentes entre si cujas histórias se entrelaçam em meio a temas polêmicos da juventude.

Soñadoras foi uma verdadeira febre no ano de 1998, mais uma amostra do espírito inventivo de Emilio Larrosa ao criar histórias que falem diretamente com o público jovem.

Confira abaixo um vídeo com o elenco da novela:

7 comentários sobre “[1998] Soñadoras

  1. Luccas Villela

    Ainda to em choque em ver Ale Avalos LOIRA e jovem… Wow, que linda!

  2. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    hahaha Durante a novela, ela experimentou 30 visuais diferentes!

  3. Lucas

    Essa novela foi um marco! Temas que não vemos sendo abordados todos os dias e atores com papéis completamente diferentes do costumeiro. Sdds Larrosa juvenil.

  4. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Também sinto falta das novelas sobre 4 amigas diferentes, bla bla bla…Mas não pode ser remake, quero algo com a cara de 2014 nas mãos do Emilio Larrosa…

  5. Matheus

    Thiago você sabe qual capitulo a Ana sai no tapa com duas prostitutas por causa do Manuel ?

  6. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Matheus, não sei não… Número de capítulo é pergunta muito difícil hehehe

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