[2003] Niña Amada Mía

Sóbria, elegante, e ao mesmo tempo clássica e diferente, Niña Amada Mía foi um sucesso das 8 da noite, e que fez ressurgir a carreira de Angelli Nesma após uma sucessão de novelas rosas e previsíveis.

Na história, Clemente Soriano (Eric del Castillo) é um empresário milionário pai de três filhas, a quem chama de “amazonas”: Isabela (Karyme Lozano), Diana (Mayrin Villanueva) e Carolina (Ludwika Paleta). Casado com uma mulher mais jovem, Karina (Mercedes Molto) – alvo do desafeto de Isabela, vai enfrentar um turbilhão de acontecimentos na relação com cada uma delas. Isabela, a mais velha, é uma mulher forte e impetuosa, e que vai trocar o relacionamento com o noivo César (Juan Pablo Gamboa) para viver um amor verdadeiro com Victor (Sergio Goyri), que será cheio de obstáculos. Diana é uma arquiteta que começa a trabalhar no escritório de Octavio Uriarte (Otto Sirgo), um homem mais velho por quem ela se apaixona, sem imaginar que ele é o maior inimigo de seu pai. E Carolina, a caçula, mesmo tendo um compromisso com o interesseiro Rafael (Roberto Palazuelos) vai viver um amor proibido com Pablo (Julio Mannino), um humilde peão da fazenda dos Soriano. Entre amores e traições, essas amazonas lutarão pela sua felicidade, mesmo quando for preciso enfrentar-se com seu próprio pai.

NAM-01Com a história original de César Miguel Rondón nas mãos, sob a adaptação de Gabriela Ortigoza, Angelli Nesma produziu em 2003 um de seus melhores trabalhos até então. Niña Amada Mía foi uma novela com excelente história, elenco bem escalado e bem produzida. A novela havia sido planejada para o final de 2002, mas naquele momento, a Televisa tinha Así Son Ellas, produção de Raul Araiza, engavetada e com a promessa de que havia feito muito sucesso nos EUA. Niña Amada Mía começou a ser gravada, mas não foi ao ar. Acontece que, no México, Así Son Ellas teve um dos piores resultados do horário. Conclusão: Niña Amada Mía só estreou em janeiro de 2003, e ainda com praticamente tudo gravado, ou seja, seria difícil alterar os rumos da história caso fosse necessário, sem perder boa parte do material. Mas aconteceu exatamente o contrário. Niña Amada Mía sucesso que registrou altos índices de audiência desde o primeiro capítulo, e acabou em primeiro lugar.

Era interessante porque não era sobre uma heroína pobre e virgem que encontrava um rapaz milionário. Niña Amada Mía tinha como pano de fundo a equitação e as corridas de cavalos, prato cheio para falar do mundo dos ricos sob a ótica deles, sem mostrá-los como os vilões opressores dos pobres. E, aliás, de pobres, Niña Amada Mía só tinha o núcleo dos empregados, como Pablo.

NAM-02Isabela e Victor – o casal principal – tinham conflitos mais reais, como a oposição das filhas de Victor, que já eram crescidas, ao romance dos dois, ou a ex-mulher que reaparecia para o conflito se agravar. E a própria Isabela, que tinha um gênio difícil, atrapalhava a relação, já que Victor já era um homem maduro com a vida feita.

Os outros casais, os pares românticos das irmãs, também fizeram muito sucesso, e ao mesmo tempo que enveredavam para o folhetim deslavado, apresentavam sua dose de realidade. Na trama de Diana, por exemplo, havia o clássico envolvimento da moça com o rival de seu pai – mas tudo isso, temperado com o inesperado casal formado por uma jovem e um senhor de mais de 50 anos. Já Carolina e Pablo apresentavam o habitual relacionamento entre a jovem rica e mimada e o empregado pobre, mas também haviam tintas fortes. A certa altura da trama, os dois acreditavam estar cometendo incesto, e ainda, o afastamento dos dois resultava no estupro de Carolina.

NAM-03Clemente era um dos melhores personagens da novela. Carismático e bonachão, havia vencido na vida tendo nascido pobre. Essa fortuna era contestada pelos Uriarte, que acreditavam ter sido roubados por Clemente, mero empregado da fazendo há muitos anos atrás. Ao mesmo tempo que era um pai amoroso, Clemente tinha um lado sombrio e vingativo. Apesar de ser casado com uma mulher jovem e ambiciosa, Clemente não fazia a linha “velho bobão”, era um homem temido, e ao mesmo, também despertaria o interesse de outra jovem mulher, a advogada Júlia Moreno (Eugenia Cauduro), justamente a mulher à frente da investigação para saber a origem de sua fortuna.

Uma coisa interessante em Niña Amada Mía é que nenhum personagem ficava sem função. O núcleo dos empregados por exemplo, apresentava trama própria. A governanta Paz Guzmán (Isaura Espinoza), que foi como mãe para as filhas de Clemente, era extremamente abnegada, e alimentava uma paixão em silêncio por Clemente. Quando ao final, parece que finalmente ele irá recompensá-la, o público ficou tão desnorteado quanto Paz ao saber que não era isso o que ele veria nela. Além disso, havia um triângulo amoroso envolvendo Paz, Pascual (Antonio Medellin), e a esposa deste – a ciumenta Casilda (Socorro Bonilla), que morria no decorrer da novela. Paz ainda era mãe de Pablo, e era ela quem detonava a possível relação incestuosa entre o filho e Carolina.

NAM-04O time de vilões era bem espalhado. Havia Karina, arqui-inimiga de Isabela, e protagonista de uma das cenas mais marcantes da novela: a surra que levou de Isabel após ser flagrada por esta no chuveiro com Victor; havia César, o noivo de Isabela, tentando a todo custo reconquistá-la sem sucesso; Rafael, o playboy violento que fazia o vértice do triângulo com Pablo e Carolina – e que virava amante de Karina; e até mesmo Mariagna (Mariagna Prats) – que foi mais dor de cabeça que vilã – a sedutora pintora que vivia uma relação madura com Octavio até ser trocada por Diana.

Um dos mistérios da novela residia no personagem Melchior Arrieta (Roberto Ballesteros), hoje um bêbado, mas no passado, homem de confiança de Clemente. Ele era muito buscado por vários personagens na novela – e além disso, era o verdadeiro pai de Pablo. Outro mistério foi o assassinato de Rafael, num dos melhores capítulos da trama. Durante o casamento de Diana com Edgar (Giovan D’Angelo), que Octavio tenta impedir até o último instante, Rafael é assassinado a tiros por alguém misterioso. Esse capítulo também mostra quando Clemente finalmente descobre o caráter de Karina, já que Rafael morre durante uma transa com ela. Vários são suspeitos, mas no fundo, a culpada era óbvia: Zulema (Arlete Pacheco), a amiga trambiqueira de Karina, que queria se vingar dela, mas assassinou Rafael por engano. Apesar de não ter sido um mistério tão grande assim – a novela era um remake – a maneira como ele se deu não foi mal adaptada, nem pareceu algo forçado como tradicionalmente acontece quando uma novela mexicana tenta ser misteriosa.

NAM-08Vários foram os destaques do elenco. Karyme Lozano esteve impecável como a protagonista Isabela. Ela era uma mulher moderna, mas que também tinha sua dose de romantismo. Isso ganhou a plateia feminina, pois pôde se identificar com ela. Sergio Goyri finalmente pode novamente ser o herói numa novela de sucesso – La Casa en la Playa, em 2000, trouxe Sergio como protagonista, mas a novela foi um retumbante fracasso. E em Niña Amada Mía ele saiu-se muito bem. Bom ator que é, finalmente pôde comprovar ao mercado internacional que não servia apenas para ser o vilão.

Eric del Castillo esteve brilhante. Seu Clemente Soriano foi um dos melhores papéis da carreira do ator e mostrou todo seu potencial. Havia bondade, maldade, comédia, tudo num único personagem, que Eric, com seu inegável carisma, soube aproveitar da melhor maneira possível. Otto Sirgo pôde mostrar um lado como galã que ele, mesmo já maduro, já havia explorado, como por exemplo, em Lazos de Amor. Isaura Espinoza foi outra do time de veteranos a ter grande destaque. Há tempos a TV lhe devia um papel dessa altura. E aqui ainda havia uma certa dose de humor involuntário, tamanho era o sofrimento de Paz, e a maneira sempre submissa como ela reagia aos problemas.

NAM-05Mercedes Molto saiu-se bem como Karina, bem como Juan Pablo Gamboa – habituado ao papel de vilão no México. Já Roberto Palazuelos saiu-se mal como de costume, sempre vivendo o mesmo personagem, com os mesmos tiques e vícios.

Ludwika Paleta e Julio Mannino formaram um bom par na frente das telas. Tinham química e ficavam bem juntos. Mas tudo isso ofuscava a real relação dos dois. Ficou pública a antipatia mútua diante da imprensa. Ludwika chegou a declarar que não ia ao estúdio para fazer amigos, e sim trabalhar. Independente de qualquer coisa, Ludwika Paleta faz muito bem o papel da menina mimada e problemática e aqui não foi diferente, Carolina era um papel a sua medida.

Dois trabalhos também merecem destaque: Eugenia Cauduro, quem todos previam que ficaria apagada (seus últimos trabalhos haviam sido como protagonista e como vilã), e ela surpreendeu numa atuação convincente, madura e correta para Júlia; e Mayrin Villanueva, grande revelação da novela, como Diana, “la lagartija” (como Clemente a chamava), mostrando o potencial da jovem atriz para trabalhos maiores – como viriam a seguir.

NAM-07Também nos bastidores, existiu mais turbulência. A princípio, a novela se chamaria como a sua original venezuelana, Las Amazonas. Mas Karyme Lozano não estava de acordo que o título da novela dividisse um protagonismo que no fundo era dela. Ela solicitou a Angelli Nesma a mudança do título para La Amazona. Mas, ao final, com Alejandro Fernández cantando o tema de abertura, ele mesmo exigiu que a novela recebesse o título da música, daí Niña Amada Mía. Karyme agradece.

Outras cenas marcantes da novela: quando Victor rapta Isabela quando ela está a ponto de casar com César; o AVC de Clemente; o final trágico de Karina – pisoteada por cavalos, graças a César – que revelava-se irmão dela nos últimos capítulos.

Em função do sucesso da novela, resolveram esticar alguns capítulos (umas 3 semanas), Mas, a essa altura, a novela já estava totalmente gravada e os atores, inclusive, já dispensados. Para isso, resolveram manter o final já gravado e apenas construir e agregar situações novas para as últimas semanas. Algumas situações dificultaram o processo: Julio Mannino, por exemplo, já estava de cabelo cortado (para isso, gravou apenas cenas usando chapéu), Juan Pablo Gamboa havia tingido seu cabelo, e teve que voltar a deixá-lo loiro. Mas o mais grave era esconder a gravidez já avançada de Mayrín Villanueva. A solução foi evitar as tomadas de corpo inteiro, e buscar um figurino que pudesse disfarçar a nova forma física da atriz. Apesar disso, todo o elenco retornou com boa vontade ao projeto, até porque, a essa altura, a audiência era muito alta. O mais interessante é que foi um espichamento sem cara de enrolação.

NAM-06

Niña Amada Mía era o segundo remake da venezuelana Las Amazonas. Em 1996, na própria Venezuela, foi produzida Quirpa de Tres Mujeres, protagonizada por Fedra Lopez e que contou com Gabriela Spanic no elenco. Ela fez o papel correspondente ao de Mayrín Villanueva nesta versão. Porém, Quirpa de Tres Mujeres enfrentou algumas dificuldades e várias mudanças ocorreram ao longo de sua exibição, desvirtuando a trama original. Com os roteiros da versão mexicana – Niña Amada Mía – a Televisa, em parceria com a RCN, produziu uma nova novela em 2011: Las Bandidas. Ana Lucia Dominguez e Marco Mendez levavam os papéis centrais, mas sem o mesmo brilho de Niña Amada Mía.

Niña Amada Mía também foi a primeira novela a ser gravada em HD no México (porém não a primeira a ser transmitida). Isso garantiu mais qualidade estética ainda. A boa direção de elenco e a adaptação primorosa foram alguns dos pontos chaves que marcaram todo o trabalho de Angelli Nesma Medina em Niña Amada Mía. Praticamente um trabalho onde nada deu errado, e por isso, mereceu o sucesso que teve.

Confira um vídeo com o elenco da novela!

18 comentários sobre “[2003] Niña Amada Mía

  1. João Vitor N. Mendes

    Nunca assisti essa novela, na verdade nunca me chamou atenção, não vejo quimica no casal protagonista, da Karyme só curti Tres Mujeres (e muito rs), mas lendo me pareceu ser boa!

  2. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    É bem legal! Niña Amada Mía eu acredito ser superior a Tres Mujeres, pois foi muito mais redondinha!

  3. Kleber

    Uma dúvida, Niña amada mia é remake de Quirpa de três mujeres ou de Las amazonas? Ultimamente ando confundindo o que é remake de que. Surgiu essa dúvida.

    Enfim, uma novela deliciosa de se assistir e um pouco diferente do habitual.

    Tá na minha lista de novelas preferidas.

  4. Diogo

    acho uma novela com tudo no lugar certo…mesmo alguns atores q não se destacaram tanto…não comprometeram…mas eu tenho dois destaques: Karyme Lozano, perfeita como Isabela…sabia ser forte sem ser dona da razão, heroína sem ser chata…e Karyme lozano acho ótima como protagonista…pena não ter feito tantas…e Eric del Castillo…ele meio q sempre é um cara simpático, rico, do bem…nessa novela ele era tudo isso e meio vilão ao mesmo tempo…um excelente papel que ele aproveitou cada cena…acho um elenco mto bem escalado…nao acho o sergio goyri exatamente um galã…mas é um bom ator!

  5. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Niña Amada Mía é um remake de Las Amazonas, que por sua vez, já havia rendido um remake nos anos 90 – Quirpa de Tres Mujeres. Mas essa versão passou por inúmeras adaptações. Niña Amada Mía é mais apegada ao original. Ah! E recentemente a Televisa fez uma co-produção baseada na mesma novela chamada Las Bandidas.

  6. Kleber

    Obrigado Thiago. Detalhe é que alguns atores como a Mercedes Molto e o Juan Pablo Gamboa praticamente sumiram da televisa após essa novela.

    Espero que a Karyme apareça mais vezes. É uma excelente atriz.

  7. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    É verdade. Mercedes Molto deu uma boa sumida. Acho que talvez tenha feito alguma aparição no seriado Mujeres Asesinas. O Juan Pablo gamboa voltou a fazer novelas na Colômbia, mas sua participação em novelas na Telrvisa foi bem sucedida. Que dizer de La Usurpadora?

  8. Lucas

    Realmente, a Mercedes apareceu num episódio de Mujeres Asesinas. Mas se formos pensar, todo o elenco parecia que renderia muito mais, e não foi bem assim. Ludwika até teve bons papéis depois, mas sumiu. Julio Mannino nem lembro a última vez que o vi, além do papel exagerado de La Fea Más Bella. Apesar dos papéis protagonistas e de vilã, Mayrín não teve mais tanto destaque, e por aí vai…
    Ainda assim, estamos falando de uma das minhas novelas favoritas! Essa é da época que eu vi fotos em baixa qualidade na internet, hahaha, e ficava desejando que passasse no SBT. E de fato passou, ainda que cortada, porém isso não comprometeu o frescor do trama.
    Essa é uma grande trama, que teve todo o prestígio que merecia em seu tempo, e merece ser vista por todos que não viram ainda e mesmo reavaliada por que não gostou.
    “Si quieres ahora, niña… amaaada mía!”

  9. Kleber

    Não tenho tanta certeza mas me parece que a Mercedes Molto esteve ou está na Telemundo.

    O Juan é muito bom, espero que volte ao México. Tenho muita simpatia pela Ludwika Paleta, espero que ganhe bons papéis quando decidir voltar às novelas.

  10. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Kleber, você tem razão. Se não me engano, a Mercedes Molto esteve naquela novela… esqueci o nome, mas foi com a Rebecca Jones e a menina que foi assassinada… Pasion Prohibida, se não me engano. Acho que a Mercedes teve um personagem lá. Mas bastante sem repercussão…

  11. Felipe Rodriguez

    Sem dúvidas uma das melhores novelas de 2003 ao lado de “Amor Real”! Tenho muitas curiosidades por ela, grande elenco! Pena que aqui não fez sucesso, mas com toda certeza “Niña Amada Mía” é um novelão!

  12. nanda

    Nunca vi mais depois de saber um pouco mais da história to curiosa pra caramba.

  13. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    É uma novela que vale a pena, acho que existe completa no Youtube!

  14. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Ah sim, mas eu particularmente, não considero muito se a novela fez sucesso ou não pra dizer se eu gostei. No caso dessa, no México e sobretudo nos EUA, fez muito sucesso. Inclusive tem um episódio da série The OC onde a novela é citada, como um sucesso entre os latinos nos EUA.

  15. Daniel

    Essa fama de arrogante e nojentinha da Ludwika Paleta vem desde os tempos de Carrossel.

    Dizem que a Dominika Paleta tbm segue essa mesma linha da irmã de não fazer amizades no trabalho.

  16. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Sim, por sorte, ambas são boas atrizes, assim não dá vontade de pedir pra elas se retirarem do meio. Diferente de uma Luana Piovani da vida, que se acha, é esnobe, e sequer é boa atriz heheh

  17. Matheus

    Eu adorei a nova versão Las Bandidas, assim como Quien Eres Tu.
    Queria que a Televisa gravasse mais novelas com a RTI , e você Thiago o que acha?

  18. Thiago Fernandes Autor da Postagem

    Eu acho novelas baratas, sem sentido. Claro, há algum interesse financeiro atrás da produção dessas novelas. Mas Niña Amada Mía é relativamente recente pra fazerem outra versão só com atores desconhecidos. O mesmo vale pra “Quien Mató a Patricia Soler?”, remake de La Madrastra com a Itati Cantoral.

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